sábado, 12 de setembro de 2015

O presente


Flores, bombons, joias. Aquele sapato descolado, ou aquele livro que há muito você queria. O presente entregue num momento especial. Um café da manhã a dois, um almoço, um jantar num lugar bonito.
Cada detalhe planejado com carinho e esmero. Para agradar a princesa da sua vida.
Enquanto isso, a princesa também faz seus planos. Imagina o que o outro quer, procura, acha algo que pode agradar. Não sabe como fazer a entrega, mas acredita que algo especial vai rolar e ela vai aproveitar a deixa.
Chega a dar umas pistas... está ansiosa para entregar coisas misteriosas. Ele faz perguntas, mas ela insiste: “Surpresa”!
Os dias passam. E faltando um dia, daquele que seria O DIA, os dois estão juntos. Enquanto comem aquela pizza gostosa, relaxados em casa, alguma coisa passa na televisão, lembrando troca de presentes. E o príncipe solta a bomba: “nós não combinamos nada de trocar presentes”.
As palavras descem como chumbo. “Ele deve estar blefando”, pensa a princesa. “Alguma coisa sairá daquela enorme mochila que veio com ele”. Ela ri e encerra sua refeição.
O DIA chega. E eles estão juntos. Enquanto ele checa suas notícias, ela coloca o presente entre as coisas dele. Eles tomam café, aquela pizza que sobrou de ontem, e seguem namorando, conversando, falando da vida.
Ele pergunta: “E aquela surpresa? É algo romântico?”. A princesa respira, não sabe mais se aquilo tudo é romântico, se apenas faz parte. Pede a ele que procure, diz que está na casa. Ele encontra, abre, gosta e usa. “É, deu certo! Acho que agradou de fato”, pensa ela. E fica sentada, esperando.
Nada. Os rumos políticos da cidade tomam lugar na conversa.
Mais tarde ele foi trabalhar, e a chama para conversar via internet. Manda um vídeo. Enquanto a princesa espera o vídeo carregar, checa suas redes sociais. Mensagens de amor, de união, enviadas ao mundo. E fotos, muitas fotos. Fotos das flores ganhas logo cedo. Fotos do café da manhã preparado pelo namorado. Fotos do bilhete romântico encontrado na bolsa. O vídeo carregou: Ensina a moça usar frases de futebol para agradar o namorado.
Esse foi o presente da princesa. Quem sabe, se ela estudar bem o vídeo, na próxima vez, o presente seja outro.

*****
A coisa toda é conversada, da maneira possível no momento.
“Você merece alguém melhor”, diz ele.
“Volta logo”, responde ela.

*****
Alguma coisa disso realmente importa?
Foi tudo uma coincidência infeliz de fatos?
Foi mercado e a tradição agindo sobre uma pessoa que tenta se libertar?

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Escrito em 12 de junho de 2013.

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Você pode ir na janela




"Se não vai
Não desvie a minha estrela
Não desloque a linha reta

Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim
Você quer me biografar
Mas não quer saber do fim

Mas se vai
Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Vai sem duvidar,
Mas se ainda faz sentido, vem
Até se for bem no final
Será mais lindo
Como a canção que um dia fiz
Pra te brindar

Você pode ir na janela
Pra se amorenar no sol
Que não quer anoitecer
E ao chegar no meu jardim
Mostro as flores que falei

Você só me fez mudar
Mas depois mudou de mim"

(Gram)

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Tentative

"Entre
Ce que je pense,
Ce que je veux dire,
Ce que je crois dire,
Ce que je dis,
Ce que vous avez envie d'entendre,
Ce que vous croyez entendre,
Ce que vous entendez, 
Ce que vous avez envie de comprendre,
Ce que vous comprenez, 
Il y a dix possibilités qu'on ait des difficultés à communiquer,
Mais essayons quand même..."

In: Encyclopédie du savoir relatif et absolu (Edmond Wells)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Vai passar, baby, vai passar


O estranho é não poder ajudar.
Você conhece a pessoa, conhece o problema, e vive, isto é, tem uma ideia de como a vida se desenrola.
Por outro lado, sabe também que isso é de cada um, e que realmente enquanto a sensação não some, não adianta explicar, mostrar exemplo, desenhar... Só serve abraçar. Mas...
Mas você esta a dez mil quilômetros dele. Não estou brincando, são dez mil quilômetros (Ok, talvez nove mil e quinhentos, mas longe, muito longe, e eu não tenho American Express Card).
Então, não tem abraço. E as palavras, são tão insuficientes e vazias. Mas vou tentar de todo modo.
Assim, eu peço: lembra. Lembra que a vida muda todos os dias.
Lembra de todas as suas qualidades. Lembra que seus defeitos são tão escondidinhos que não ofuscam sua capacidade e seu brilho.
Lembra da sensação gostosa que vem quando a gente consegue vencer um obstáculo, conquistar um objetivo.
Lembra que o tempo é o tempo, ele passa, mas passa diferente para cada um de nós nesse mundo.
Lembra que comparações são as piores coisas que existem, pois nunca são completas, e que cada um tem um contexto, um objetivo, e que nunca dá para ser igual.
Lembra de todas as pessoas que todos os dias você faz sorrir. E lembra que uma delas sou eu, mesmo estando tão longe.
Lembra de como você é importante. Como você faz a diferença cada vez que acorda, cada vez que manda uma mensagem, que entra no trabalho, que volta para casa.
Lembra de como você é amado. Por um monte de gente, mas sobretudo por mim.
E lembra que eu já me senti assim também, e que nesse momento você apareceu e tudo mudou.
Vai passar, baby, vai passar.

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E em praticamente 12 dias estaremos juntos novamente S2

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quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Brinde ao novo



Lembrar-se do passado.
Resgatar o passado.
Buscar pessoas que já passaram pela sua vida.
Voltar aos lugares onde já viveu.
Incompreensível. O mundo é tão grande!
Há tantos lugares.
Há tantas pessoas.
Por que sempre as mesmas, por que sempre os mesmos?
Isso, definitivamente, não é para mim.
Na minha vida, as coisas que ficam são presentes.
Se passaram, abriram lugar para o novo.
E o novo veio. Ele sempre vem.
As tentativas acontecem.
Por um tempo você tenta. Por mais tempo, os outros tentam.
Mas não dá, aquele espaço já era.
Fica a saudade, às vezes, mas nunca a falta.
As lembranças se bastam. As lembranças me bastam.
Pois a volta ao passado pode mostrar que nada mudou. Mas eu mudei.
E a volta ao passado também revela lados obscuros.
Não os quero. Já tenho minhas obscuridades.
O mundo é grande!

terça-feira, 8 de outubro de 2013

Universitários pós-modernos


Quem dá aulas, acredito, quer sempre ver o melhor de seus alunos.
Quer vê-los entender o que você está passando. Quer vê-lo utilizar esse conhecimento na sua vida, no seu trabalho, com sucesso. 
Sempre acreditei na parceria, no bate-papo, na troca mesmo, entre alunos e professores. E sempre acreditei nisso com tranquilidade, porque sou professora universitária. Talvez, se meu público fosse escolar, eu sentisse necessidade de uma maior imposição. Talvez.
Por outro lado, entendo que as disciplinas pelas quais sou responsável, integram um conjunto maior. Então eu contribuo com uma parte de cursos de graduação e pós-graduação. E ser uma parte de um conjunto maior significa que haverá, entre seus alunos aqueles com afinidade com a minha matéria, e outros não. E que o fato de parte deles não ser bem sucedida na minha disciplina não invalida, em nenhum momento, sua competência em outras matérias do mesmo curso.
De todo modo, há um investimento por parte dos alunos. De dinheiro, de tempo, de fôlego. Acredito que estão lá para saírem mais complementados.
Então não consigo acreditar quando, em graduação e pós-graduação, encaro situações como:
  • Não testar um software apresentado. Somos graduação e/ou pós-graduação. Mamãe/Papai não te obrigam mais a estar aqui, portanto aproveite sua liberdade de estudo e estude.
  • Vir com desculpas, do tipo:
    • Minha formação é outra. Mas você está aqui para aprender, correto?
    • Não leio inglês/espanhol. Graduação/Pós-graduação, certo? Uma dessas línguas você tem noção, os textos são técnicos, há google tradutor, tradukka e boa vontade. Peçam ajuda, mas não deixem de tentar.
    • Não fiz porque não consigo baixar o arquivo. Graduação/Pós-graduação, certo? Peça os arquivos por outro modo, mas não me enrole.
  • Não aceitar que comete erros, mesmo sendo as aulas o melhor local para isso acontecer (ou você prefere errar com seu chefe ou seu cliente?). Deixa a profa ajudar, ela está aqui para isso.
  • Passar uma aula com questões, mas fazê-las após o término da aula ou por e-mail somente. Isso priva o grupo do debate, e vale a máxima: “A sua dúvida pode ser a mesma dos outros”.
  • Não conseguir montar grupos com os colegas. Quer que a tia pegue na mãozinha e junte?
  • Reclamar de um membro do grupo para a professora. Queridos, eu recebo trabalhos, não faço terapia. Vou dar a nota para os membros constantes do trabalho entregue. Se alguém não trabalhou, não coloquem o nome do sujeito no trabalho. Resolvam!
  • Achei que a data e a forma de entrega eram outros. Não sei dos demais professores, mas eu, na primeira aula já entrego cronograma de datas e digo qual o formato. Entregou depois é nota menor ou zero. Sem discussão. Graduação/Pós-graduação, lembra?
  • Eu já conheço tema, não preciso fazer os exercícios. HAHAHAH. Pessoal, todos que me disseram isso e tentaram fazer os exercícios erraram coisas ou fizeram o trabalho final mal feito. Sem exceção. A prática leva à perfeição, portanto, se você já conhece o assunto, mais um motivo para treiná-lo.
Com situações como essas, eu me pergunto: será possível o debate ou terei que, ainda na faculdade agir como professora do Jardim da Infância? Será que não dá para ter maturidade?

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Amiguinhos, é evidente que nem sempre é assim. No entanto, tenho percebido um certo retrocesso no quesito maturidade, independentemente da idade, e do local onde ensino.  É culpa do Google? Do Facebook? Dos EUA? Da Dilma?
Por favor, se você está estudando, aproveite esse momento, aproveite seus colegas, aproveite seu professor. Faça valar a pena cada minuto e centavo investidos. Nós, professores, estamos aqui para isso: para responder dúvidas, para trocar ideias, para trabalhar em grupo.
Se você percebeu que não era bem o que queria, converse logo. Aulas podem ser mudadas, para melhor lhe atender, há sugestões de transferências. Não espere passar e depois sentir que não aproveitou.
E acima de tudo, eu escolhi ser professora universitária. Esforço todo dia para me aprimorar. Não me façam me sentir como a tia do jardim da infância. Não levo jeito.

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Hey kids, don't leave the teacher alone! ;)